5 Passos para Fazer as Pazes com a sua Casa – Passo 3

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Muitas vezes os verdadeiros problemas com as casas estão escondidos por trás de outros, que parecem mais óbvios ou importantes, e que os próprios habitantes da casa não percebem que são a causa principal dos seus desconfortos.

Se os desafios com a casa não forem percebidos e encarados, com o tempo as pessoas afastam-se da casa, deixam de gostar da mesma e esta passa a ser um local de tristeza e mal-estar.

O refúgio que todos precisamos, onde descansamos, retemperamos energias e somos felizes, deixa de existir.

Concebemos uma lista de 5 Passos para o(a) acompanhar a fazer uma análise inicial à sua relação com a sua casa, e assim detectar os verdadeiros desafios. Ao identificar onde tem de agir, pode colocar em prática algumas das estratégias indicadas.

E assim fazer as pazes com a sua casa, para que esta volte a ser um local de felicidade e bem-estar. Em suma, voltar a gostar da sua casa.

Pegue num caderno ou imprima as perguntas do resumo final, para que responda e aponte os desafios que a sua casa apresenta em cada ponto. Pode fazer sozinho(a), em casal ou em família, mas também podem fazer isoladamente e depois analisar as respostas em conjunto para terem a visão de todos.

Sempre que a resposta à questão for a V, óptimo — é menos um desafio. O perfeito seria que todas as suas respostas fossem a V, mas se assim fosse seria pouco provável que estivesse interessado(a) em fazer este exercício de análise da sua casa. E o perfeito é um ponto de vista… podendo ser real ou não.

(Caso queira o documento completo pode obter no nosso site – página Studio+ e em Ofertas).
Vamos passar ao terceiro passo?


Passo 3 – As relações

Todos os habitantes da casa têm o seu espaço próprio?
+Resposta positiva – V
+Resposta negativa – Quando isso não acontece, a primeira situação a analisar é se é necessário ou não. Dois irmãos ou duas irmãs podem até partilhar o mesmo quarto durante a adolescência e mesmo já adultos, de forma confortável e harmoniosa, se as suas vivências forem compatíveis e se se respeitarem. Por vezes, até preferem que assim seja e tenham um outro espaço destinado a zona de estar, sala de jogos, etc. Caso se verifique que é necessário, terá de ser analisado se é possível e como. Pode não ser viável cada um ter o seu quarto, mas pode ser exequível criar algum tipo de divisão ou separação que defina o espaço de cada um (para que tenham mais privacidade e conforto). Se a ausência de espaço próprio para algum dos habitantes da casa já se está a fazer sentir, seja de que forma for, e interfere no bem-estar familiar, a sua resolução não pode ser adiada (nem que opte por uma solução de recurso que com o tempo pode substituir ou melhorar). Não pense apenas no custo que pode ter a fazer uma solução que depois será alterada, pense também nos benefícios para a família se não adiar.

Os espaços de cada habitante são respeitados pelos restantes?
+Resposta positiva – V
+Resposta negativa – Pode ser ou não um problema. Depende das dinâmicas familiares e da forma como esse “desrespeito” acontece. Mas muitas vezes está na base dos desafios que as famílias enfrentam. Pode até ser silencioso, mas tende a aumentar de nível e ser depois difícil de impor. Estabelecer limites e regras base pode ser importante porque todos somos diferentes, damos importância a coisas diferentes e não sabemos o que os outros pensam. Pode parecer clichê, mas a comunicação é um dos pilares base de uma boa vivência familiar.
Premissa: O “achismo” pode ser um vírus letal. Achamos sempre alguma coisa em relação a tudo, por nós e pelos outros. “Eu acho isto”, “Eu acho aquilo” é muito fácil de dizer, mas às vezes sem nada que o sustente. Ouvir, experimentar ou testar mais e achar menos…

Os espaços comuns da casa estão adaptados a todos os que os usam?
+Resposta positiva – V
+Resposta negativa – Normalmente, temos nesta categoria as salas, cozinhas, quartos de banho, circulações, varandas e jardins. Se não houver necessidades especiais por parte de algum habitante da casa, com pequenas alterações pode conseguir fazer os ajustes necessários para resolver as necessidades.
Por exemplo, se os seus filhos pequenos brincam na sala, enquanto prepara as refeições, mas não quer que os brinquedos fiquem espalhados pela sala, obrigar a que sempre que terminem de brincar levem os brinquedos para o quarto e os arrumem pode ser exigir demais e ser desgastante para os pais estarem sempre a impor. Soluções como ter um cesto ou uma caixa que se enquadre na decoração da sala, e onde as crianças colocam os brinquedos depois de brincar, pode ser um hábito fácil de implementar, depois pode deixar o cesto ou a caixa na sala ou pegar no mesmo e levar para o quarto. Torna-se um processo mais fácil para todos e menos exigente e cansativo. Pode não ser perfeito, mas as crianças vão crescendo e ganhando autonomia e pode depois implementar outros hábitos. Se quiser uma opção mais permanente, pode disponibilizar uma parte de um móvel que tenha na sala para armazenar os brinquedos ou, se vai comprar ou mandar fazer, incluir já esse critério na escolha. Outro exemplo, a necessidade pontual de uma secretária para servir de home office ou local para fazer os trabalhos de casa pode ser resolvida com uma mesa rebatível ou extraível ou mesmo uma consola. Mobiliário convertível pode ser uma solução em muitos casos.

A forma como as tarefas da casa estão distribuídas (entre todos, entre alguns ou apenas para um dos habitantes) é satisfatória para si? E para os outros?
+Resposta positiva – V
+Resposta negativa – Seja a uma das perguntas, seja às duas, alguma coisa não está a funcionar completamente. Qual a razão disto acontecer? Se é porque apenas um tem capacidade para as fazer, então, se for possível, opte por contratar ajuda. Não se sobrecarregue por achar que tem de ser capaz de tratar de tudo. Não ganha nada, nem a sua família, se ficar tão desgastada que se torne uma má companhia para si e para os outros. Se a razão é porque nem todos querem fazer as tarefas, então pode estipular ganhos para todos. Por exemplo, se todos ajudarem a arrumar a mesa, a louça e a cozinha após o jantar podem ir uma vez por semana comer fora ou ir ao cinema ou nas férias passam a ter um benefício (veja o que será mais indicado para a sua família, e na escala adequada, não será “comprar”, mas incentivar a que todos façam uma parte e ajudem). Se o problema é porque não delega ou acha que só fica bem se fizer, então é importante (para seu benefício) deixar de achar que é o(a) dono(a) da sabedoria – gostamos de fazer e de ter as coisas à nossa maneira, mas se vivemos com outras pessoas, achar que só a nossa forma de fazer ou pensar é que é a certa vai tornar tudo muito pesado. Também equacionar algumas coisas em conjunto faz com que os outros, por terem participado, sejam mais presentes ou participativos e as coisas a fazer deixem de ser vistas como imposição, obrigação ou castigo.

As rotinas e vivências de cada habitante são compatíveis?
+Resposta positiva – V
+Resposta negativa – É assim, mas é algo negativo para a família ou para as dinâmicas familiares? Se for negativo e for algo que não possam mudar (por exemplo, por causa de trabalho por turnos ou em horários que não são compatíveis e onde não há possibilidade de mudar de trabalho) podem talvez arranjar alturas para “compensar”, como férias e fins de semana. É um ponto que pode ser muito limitador e sem margem para alterações. Mas se afecta a utilização da casa pode ter em atenção alguns aspectos. Por exemplo, o quarto de alguém que trabalha de noite e dorme durante o dia pode passar a ser o que se encontra na zona mais isolada da casa, se durante o dia os outros habitantes estão em casa. Mas se for o caso de alguém ter de acordar muito mais cedo do que a restante família (ou chegar muito tarde), poderá ser necessário ter um quarto só para ele ou que seja mais perto da casa de banho ou da saída. Alguém que trabalha em casa pode necessitar de um escritório mais formal ou permanente num lugar da casa, em vez de uma secretária pontual num espaço comum, se durante o horário em que trabalha os outros habitantes frequentam esse mesmo espaço.

Resumo

Passo 3 – As relações

  • Todos os habitantes da casa têm o seu espaço próprio?
  • Os espaços de cada habitante são respeitados pelos restantes?
  • Os espaços comuns da casa estão adaptados a todos os que os usam?
  • A forma como as tarefas da casa estão distribuídas (entre todos, entre alguns ou apenas para um dos habitantes) é satisfatória para si? E para os outros?
  • As rotinas e vivências de cada habitante são compatíveis?

Nos próximos artigos iremos passar pelos passos seguintes.